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    Arena: nota enviada ao jornalista Hiltor Mombach sobre a nota do dirigente gremista



    Nota enviada ao jornalista Hiltor Mombach sobre a nota do dirigente gremista Giuliano Vieceli. 

    Caro Hiltor, saúde!

    Não imaginava que meu comentário sobre a cobrança ao “poder público” de obras complementares de empreendimento privado pudesse gerar tamanha polêmica. Debito isso na conta do preconceito e da paixão futebolística para tratar temas que são públicos e deveriam ter mais transparência e lucidez. Não trato as questões públicas desta forma e como deputado ou prefeito jamais priorizei preferências coloradas ou tricolores para analisar e pautar meu comportamento.

    Nossa função primordial é zelar pelo patrimônio público e isso sempre norteou nosso voto na Assembleia Legislativa e nossa ação na prefeitura. Por isso, sustento minhas observações iniciais:

    a) Já houve uma grande contribuição do Estado ao empreendimento. Se o terreno foi comprado, como diz o sr. Vieceli, quem recebeu o dinheiro? O Estado não recebeu. A ordem religiosa que detinha a posse não poderia vende-lo, pois a área é pública e exclusiva para uma universidade. Por isso, o terreno na Estrada Corta Gama foi gravado como do Estado, para compensar a entrega da área do Humaitá. Um grande privilégio para o empreendedor.

    b) Nossa bancada votou a favor da liberação da área pública e apresentamos emendas – também aprovadas por outras bancadas – para garantir obras complementares que deveriam ser requeridas pelo Estado e, principalmente, pelo poder municipal como órgão regulador da cidade. Fizemos isso exatamente por saber que obras deste porte necessitam ser planejadas em suas consequências.

    c) A Arena será do Grêmio. Todo o investimento no Centro Comercial, nos estacionamentos, nos 18 prédios de moradia no Centro de Convenções, no entanto, é um empreendimento privado e, como tal, deveria ser tratado pelo poder público. O dinheiro público, do Orçamento Público, sempre escasso diante de tantas prioridades deve ser gasto com muito zelo.

    d) Minha observação resume-se a isso. A obra de intersecção das BRs 290 e 448 é evidente que deve ser bancada pelo governo federal, como está sendo.

    Quanto aos comentários de que a minha opinião está marcada pelo terreno gre-nal que vivem os gaúchos são apenas risíveis e um desconhecimento da nossa prática política. Infelizmente, não são apenas risíveis, mas pautadas pelo fanatismo e preconceito.

    Raul Pont

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Raul Pont foi líder estudantil na UFRGS, bancário, funcionário público e dirigente sindical. Fundador do PT, foi deputado federal, deputado estadual, vice-prefeito e prefeito de Porto Alegre. Defensor da participação popular, é Deputado Estadual e Presidente do PT/RS.